Irmão Bija: o maçom com a maior idade cronológica da Glesp

Irmão Bija: uma vida dedicada ao trabalho, à Maçonaria e à comunidade

Como já foi divulgado, dentre as iniciativas que farão parte das comemorações ao centenário da Glesp, está uma série de entrevistas com os obreiros de maior idade cronológica que continuam ativos na Potência paulista. Essas entrevistas, gravadas em vídeo, ficarão disponíveis juntamente com o livro sobre os 100 anos da Glesp.

Entre esses valorosos maçons, está Benjamim Oliveira, que além de gravar o material para a publicação comemorativa, também concedeu entrevista para o irmão Nelson Gonçalves, membro do Conselho Editorial da revista A Verdade em Destaque e Grande Secretário das Comunicações Adjunto, o qual preparou o perfil a seguir.

Com 97 anos de idade e 73 anos de Ordem Maçônica, o irmão Benjamim Oliveira, o “Bija”, como é carinhosamente chamado, segue em plena atividade, frequentando semanalmente a Loja Said Francis, 140, Oriente de Ourinhos. Iniciado em 1951 e fundador da Loja Said Francis em 1969, sua trajetória é marcada pelo serviço maçônico, pela atuação comunitária e pela dedicação contínua à sociedade ourinhense.

Considerado, com justiça, um dos maçons mais antigos em plena atividade no Brasil, ele continua frequentando todas as sextas-feiras a loja maçônica que ajudou a fundar em Ourinhos, cidade onde nasceu, cresceu e construiu sua história. E faz isso como sempre fez: com autonomia. É ele próprio quem dirige o carro nos 2,8 quilômetros que separam sua casa do templo.

Seu nome é familiar a gerações de moradores de Ourinhos e região. Durante mais de dez anos, exerceu a função de juiz de paz, celebrando mais de 2.800 casamentos. Até hoje, não é raro ser abordado nas ruas por casais que fazem questão de agradecê-lo com um abraço pelo matrimônio que oficializou décadas atrás.

Sua trajetória de serviços públicos também inclui uma atuação exemplar como membro do Corpo de Jurados da Comarca, função que exerceu por 50 anos ininterruptos. Além disso, participou como mesário e presidente de mesa eleitoral em mais de 30 eleições, sempre de forma voluntária.

Nascido em 27 de abril de 1929, Benjamim foi o segundo filho de Ana Rosa de Jesus e Manoel de Oliveira Junior, em uma família numerosa, com 12 filhos. Apenas quatro chegaram à idade adulta. Como um dos mais velhos, ajudou na criação e formação dos irmãos mais novos, entre eles Paulo, que se tornaria médico e faleceu durante a pandemia da Covid-19.

O pai, homem simples e trabalhador, exerceu diversas profissões para sustentar a família: de barbeiro a carpinteiro e marceneiro. Foi justamente nessa última habilidade que encontrou sua principal atividade, passando a fabricar caixões funerários para atender a comunidade local. “Toda vez que morria alguém, meu pai era chamado para produzir o caixão para o enterro”, lembra o irmão Bija.

Ainda jovem, Bija demonstrava espírito inquieto e vocação para novos desafios. Antes de completar 18 anos, formou-se piloto, figurando entre os mais jovens da aviação brasileira à época. Aos 21 anos, casou-se com Maria Madeira Oliveira, trabalhou na lavoura e comércio de grãos com o sogro e, mais tarde, de volta à cidade, abriu uma loja de tintas, iniciando sua vida como comerciante.

Seu ingresso na Maçonaria ocorreu em 24 de maio de 1952, por convite de um vizinho funileiro, na Loja União e Justiça. Ainda como Aprendiz, participou da mobilização para a compra do terreno onde seria construído o templo. As sessões, naquele período, aconteciam de forma improvisada, em um pequeno cômodo nos fundos de uma fábrica de bebidas.

Em 1963, assumiu a funerária da família e, no mesmo ano, foi eleito Venerável Mestre. Anos depois, divergências internas o levaram a deixar a loja, acompanhado por outros 19 irmãos. Dessa cisão nasceu, em 1969, a Loja Said Francis, da qual foi fundador e que leva o nome de um dos pioneiros da Maçonaria em Ourinhos.

A atuação maçônica de Bija extrapolou os limites do município. Por 15 anos, foi Delegado Regional, representando seis Grão-Mestres, e colaborou diretamente na fundação de lojas em Ipaussu, Avaré, Assis, Palmital e Marília. Entre suas maiores realizações está a criação do Serviço de Obras Sociais, o SOS Ourinhos, fundado em 1971. A instituição mantém a Guarda Mirim e o Serviço de Integração de Meninas e já encaminhou mais de 35 mil jovens ao mercado de trabalho. Primeiro presidente da entidade, Bija permanece ligado à sua história até hoje, mantida pelos maçons da cidade.

Sua dedicação comunitária também se estendeu a diversas frentes: presidiu o Hospital de Saúde Mental, o Consórcio Internacional de Municípios da Região de Ourinhos, fundou o Rotary Clube Oeste, participou da criação de centros comunitários em bairros e cidades vizinhas, colaborou com a Santa Casa, com o Albergue Noturno, com o Lar de Meninas Olavo Ferreira de Sá e foi um dos principais articuladores da chegada dos cursos da Fatec ao município.

Ele relata que foram os maçons que contribuíram decisivamente para a edificação das torres da Igreja Matriz do Senhor Bom Jesus. A construção foi viabilizada com recursos arrecadados por meio de quermesses, campanhas de doação de tijolos e leilões. Os clubes de futebol Operário e Ourinhense, assim como os cinemas da cidade, também colaboraram, destinando à obra a renda líquida de jogos e espetáculos. Como colaborador de diferentes administrações municipais, ajudou na implantação da Zona Azul, integrou a Defesa Civil e o setor de Assistência Social. Por tamanha dedicação, recebeu da Câmara Municipal o Título de Cidadão Benemérito de Ourinhos e, em 1970, foi eleito pela imprensa local como Personalidade do Ano.

Com espírito jovem e humor afiado, Bija não esconde seu segredo para atravessar nove décadas, com poucas rugas no rosto e muita vitalidade: “Uso diariamente, antes de dormir, um creme que eu mesmo faço”, revela. Segundo ele, o preparo leva dentes de alho amassados, amido de milho e óleo vegetal. Abandonou o cigarro e as bebidas alcoólicas há muitos anos e procura manter-se sempre em atividade. “O segredo é não ficar parado”, ensina o irmão.


Editorial do Sereníssimo Grão-Mestre – Março/Abril 2026

Caros Irmãos, O processo eleitoral em nossas lojas, mais que um momento de cumprir uma disposição regimental, reafirma a essência da nossa vida maçônica. Eleger um Venerável Mestre e os demais Oficiais é, sobretudo, um exercício de confiança, fraternidade e responsabilidade. Trata-se da oportunidade para que irmãos cresçam, aprendam e contribuam para o fortalecimento da loja. Desde 2022, temos reiterado a importância de fortalecer, de....

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